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Eurodeputadas recusam lições morais de Alegre

por JOÃO PEDRO HENRIQUES  

Eurodeputadas recusam lições morais de Alegre

A proibição das duplas candidaturas (Parlamento e câmaras municipais) continua a dar polémica dentro do PS. Manuel Alegre desafiou Ana Gomes e Elisa Ferreira a decidirem já que cargo querem. As duas eurodeputadas, concorrentes às câmaras de Sintra e do Porto, respondem dizendo que o vice-presidente da AR não tem autoridade para lhes dar lições de moral.

Ana Gomes e Elisa Ferreira reagiram quase em uníssono ao repto de Manuel Alegre, que, em nome da "transparência" perante os eleitores, as desafiou a renunciarem já ao cargo de eurodeputadas ou às respectivas candidaturas autárquicas. O comentário de ambas foi no mesmo sentido e dando a entender que não renunciam ao lugar de eurodeputadas: Manuel Alegre não tem "autoridade moral" para o desafio que fez.

"Não considero que Manuel Alegre tenha autoridade moral para fazer o repto que fez. Afinal ele foi candidato à Presidência da República, contra o candidato oficialmente apoiado pelo PS [Mário Soares] e fê-lo sem renunciar nem ao mandato de deputado eleito pelo PS nem ao cargo de vice-presidente da Assembleia da República, que só detém porque é do PS", disse Ana Gomes ao DN.

"E - acrescentou a eurodeputada e candidata à câmara municipal de Sintra - eu sempre actuei com honestidade e transparência. Os portugueses que votaram em mim para o Parlamento Europeu sabiam perfeitamente que se for eleita presidente da Câmara Municipal de Sintra renunciarei ao mandato de eurodeputada".

Ana Gomes recorda que esta sua dupla candidatura foi chancelada pela comissão política nacional do partido, pelo próprio José Sócrates e pela comissão política concelhia de Sintra, que apoia a sua candidatura à autarquia. "Habituei-me desde a minha juventude em admirar em Manuel Alegre a sua convicção para não aceitar diktats. Não aceito o repto dele", disse ainda a eurodeputada.

Falando à SIC, Elisa Ferreira recordou também a candidatura presidencial de Alegre, e o facto de nessa altura (nem depois) ter renunciado ao mandato de deputado eleito pelo PS. "Poderia receber dele lições de cultura ou de poesia e até de política. Mas de moral não deve falar para mim", afirmou a eurodeputada, também candidata à câmara municipal do Porto.

O repto de Alegre surgiu na sequência da proibição, decretada por Sócrates na sexta-feira passada numa reunião com os lideres distritais do partido, de os candidatos a presidentes de câmara pelo PS serem também candidatos a deputados pelo partido. Uma medida que apanhou todo o partido de surpresa, sobretudo candidatos a câmaras que esperavam poder ser também candidatos a deputados (caso de Leonor Coutinho, candidata à Câmara de Cascais, que se insurgiu contra a "mudança de regras a meio do jogo".

Falando ao DN, Ana Gomes reafirmou que esta proibição é "razoável", tendo em conta a polémica nas europeias por acumular a condição de (re)candidata a eurodeputada com a de candidata a Sintra. Porém, a eurodeputada sublinhou que vê com "compreensão" com as "reacções de indignação" surgidas no partido face a esta súbita e inesperada proibição. "Compreendo perfeitamente. Mas quem tem de responder a isso é a direcção do partido, não sou eu. Não fui eu que determinei essa proibição."

Ana Gomes aproveitou ainda a ocasião para reafirmar acusações de "desonestidade" a Paulo Rangel, por este só depois de ter sido eleito eurodeputado ter admitido que poderia interromper o mandato em Bruxelas se os interesses da política nacional a isso o obrigassem. "Isso sim, é desonesto."


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